COMPARAÇÃO ENTRE MITOLOGIA GREGA E TEMÁTICAS PARALELAS NA OBRA DE SAINT SEIYA DE MASAMI KURUMADA

03/12/2013 15:25

Este artigo não foi produzido especialmente para o site. Trata-se de um trabalho de conclusão de semestre para a cadeira de Literatura Comparada, ministrada pela professora Márcia Ivana, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Por Lucas Saguista

 

Comparação entre Mitologia Grega e temáticas paralelas na obra de Saint Seiya de Masami Kurumada.

 

    Não é novidade para ninguém que o japonês Masami Kurumada explorou diversos campos da mitologia grega, astrologia e cosmologia para desenvolver sua obra mais consagrada: Saint Seiya. Com base nessas informações não se torna difícil entender que a obra de Saint Seiya está diretamente vinculada ao campo da Literatura Comparada, pois trabalha questões que estão no cânone da literatura mundial.

    Por abranger uma temática gigantesca – praticamente sem precedentes – farei uma releitura de um dos grandes arcos dessa epopéia dos quadrinhos japoneses: A Saga de Poseidon, o deus dos mares, relacionando seus acontecimentos ao mito grego. Em função da complexidade e variedade temática existente em Saint Seiya, será avaliada exclusivamente a figura de Poseidon e superficialmente Atena, deusa da sabedoria e das guerras justas, durante o combate nos templos submarinos.

 

Julian Solo: De comerciante marítimo a conquistador

 

    “De comerciantes marítimos eles passaram a conquistadores. Diz-se que invadiram a região além dos chamados Pilares de Hércules (hoje a área do estreito de Gibraltar, que separava o Atlântico do Mediterrâneo) e dominaram diversas partes da África e da Europa. Escravizaram os povos nativos e seguiram avançando em seu expansionismo, até ameaçar a Grécia.” – Trecho retirado de “Mitologia: Deuses, Heróis e Lendas” lançado pela Superinteressante.

    Na obra de Masami Kurumada, as deidades olimpianas costumam reencarnar (ou despertar) na face terrestre em determinados seres humanos que inspirem as qualidades necessárias de seu julgamento. Hades, o Imperador do Inferno, por exemplo, desperta sempre no humano mais puro do mundo, pois prefere conservar seu verdadeiro corpo nos Campos Elíseos. Poseidon também não é diferente de seu irmão.

    Existe uma famosa família de comerciantes marítimos na Grécia, que domina o comércio no Mediterrâneo. A família Solo.

 

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Trecho retirado da 23ª edição de Saint Seiya lançada pela Conrad Editora.

 

    Julian Solo tornou-se herdeiro da fortuna da família em seu 16º aniversário. Como podemos ver no trecho retirado do capítulo “O Templo Submarino”, Julian Solo faz alusão à passagem acima “de comerciantes marítimos eles passaram a conquistadores” deixando evidente sua ligação com o deus possessivo. Embora Poseidon venha a tomar o corpo de seu hospedeiro a frente, nesta passagem, a deidade ainda não estava desperta em Julian. Apenas destaquei essa cena para ilustrar a questão dos deuses escolherem humanos afins com sua personalidade ou escolha.

    “Enquanto outros povos da Idade do Bronze ainda chafurdavam no atraso, os minóicos enriqueciam com o comércio marítimo e construíam cidades incríveis com palácios, ruas pavimentadas e sistema de esgoto. Eram exímios navegadores.” - Trecho retirado da 3ª edição da “Série Grandes Mistérios” da Superinteressante. Esse outro trecho serve para reforçar ainda mais a ligação entre o deus dos mares com o jovem herdeiro do comércio marítimo do Mediterrâneo.

    Com base nesse breve paralelo entre as pesquisas de Maurício Horta, José Francisco Botelho, Salvador Nogueira e Renata Caprara com o mangá de Masami Kurumada, conduzirei você, leitor, para a comparação direta com a mitologia.

 

Questão das Amantes:

 

    Não é novidade para ninguém as “escapulidas” dos deuses, não é verdade? Evidentemente que o campeão em matéria de traição e sedução é Zeus, o senhor do Olimpo, que não perdia uma única oportunidade de sair da vigilância de sua esposa Hera e, literalmente, pular a cerca. Essa prática, todavia, não era exclusiva de Zeus, como veremos na seqüência. “Mas para Poseidon não basta ter o domínio sobre o mar e uma bela esposa. Ele precisa competir com Zeus também na quantidade de amantes.” - Trecho retirado de “Mitologia: Deuses, Heróis e Lendas” lançado pela Superinteressante.

    Sutilmente essa temática também é retratada em Saint Seiya, afinal, o hospedeiro de Poseidon começa uma verdadeira guerra após ser rejeitado por Atena. Esqueçamos nesse momento que Atena é filha de Zeus e, posteriormente, sobrinha de Poseidon, pois as divindades gregas não condenavam relações homossexuais ou incestuosas, por exemplo.

 

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Trecho retirado da 23ª edição de Saint Seiya lançada pela Conrad Editora.

 

    Obviamente, por se tratar de um mangá “Shonen” (para garotos), o autor não poderia desenvolver uma situação mais envolvente acerca dessa temática. Entretanto, por Atena se tratar de uma deusa virgem e inviolável, essa obsessão de Julian por Saori (nome “mortal” de Atena) faz alusão a essa tendência de conquistador existente na personalidade de Poseidon.

 

Mensageiros de Poseidon:

 

    O deus parte então para cima da nereida Anfitrite, que, para fazer charme, imediatamente foge para o Monte Atlas. Poseidon envia até lá alguns mensageiros, e um deles, chamado de Delfin, o golfinho, consegue convencê-la.” – Trecho retirado de “Mitologia: Deuses, Heróis e Lendas” lançado pela Superinteressante.

    Como esperado do único herdeiro mimado do grande império comercial da família Solo, Julian (agora com parte da alma de Poseidon desperta) não reagiu bem a decepção amorosa e envia seus seguidores para “convencê-la”. Evidentemente, não de uma maneira diplomática, mas envia sua trupe mesmo assim.

 

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Trecho retirado da 23ª edição de Saint Seiya lançada pela Conrad Editora.

 

    Como vemos acima, existe uma forte relação entre as personalidades das divindades apresentadas pela Mitologia e Masami Kurumada, afinal, a tentativa extrema de seqüestrar a deusa Atena para esta se render aos desejos é típica de Poseidon. Entretanto, essa cena pode também ser interpretada como as tentativas de Poseidon de conquistar a cidade de Atenas na Grécia. Enfim, evidentemente que a tentativa de seqüestro foi por “água abaixo”, pois Atena é protegida por seus “santos” (cavaleiros, como ficaram conhecidos aqui no Brasil).

    Outras insistentes tentativas de seqüestro ocorreram, mas todas estas fracassaram, pois Atena tinha uma proteção constante de seus subordinados. Entretanto, a situação muda completamente com a tentativa de assassinato ao grupo de guerreiros que se recuperavam de batalhas recentes no hospital da fundação Graad. Decidida a impedir a maldade de Poseidon que abatia o planeta, Atena acompanha Sorento de Sirene, um dos generais da divindade marinha, até Atlântida.

 

Questão do Velho Testamento e das Enchentes:

 

    (...) 17 - 22 "Eis que vou trazer águas sobre a terra, o Dilúvio, para destruir debaixo do céu toda criatura que tem fôlego de vida. Tudo o que há na terra perecerá. Mas com você estabelecerei a minha aliança, e você entrará na arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos. Faça entrar na arca um casal de cada um dos seres vivos, macho e fêmea, para conser­vá-los vivos com você. De cada espécie de ave, de cada espécie de animal grande e de cada espécie de animal pequeno que se move rente ao chão virá um casal a você para que sejam conservados vivos. E armazene todo tipo de alimento, ­para que você e eles tenham mantimento". Noé fez tudo exatamente como Deus lhe tinha ordenado. – Trecho retirado da Bíblia: capítulo 6 do Gênesis.

    Não era de se espantar que Poseidon também tentasse destruir completamente a humanidade por sua perversidade com fortes chuvas e enchentes. Agora, temos que considerar que a mesclagem realizada por Masami Kurumada entre a Mitologia Grega e o Deus do Cristianismo foi sensacional:

 

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Trecho retirado da 24ª edição de Saint Seiya lançada pela Conrad Editora.

 

    Podemos ver perfeitamente que Poseidon afirma acima que ele estendeu sua misericórdia a Noé, personagem bíblico, que aparece no livro do Gênesis. Com base nesse trecho percebemos claramente a relação que o autor, Masami Kurumada, estabeleceu entre os ocorridos e como isso se encaixou harmoniosamente em seu universo. Olhemos agora pela óptica da Mitologia Grega como Poseidon de Masami Kurumada se enquadra nessa situação:

    Disputa com Atena pela proteção das cidades de Atenas e de Trezena... Frustrado por não ter sucesso em nenhuma das empreitadas, castiga cada uma das cidades com enchentes.” – Trecho retirado de “Mitologia: Deuses, Heróis e Lendas” lançado pela Superinteressante.

    Sem sombra de dúvidas já é “de praxe” Poseidon desferir sua cólera divina em forma de severas enchentes e tempestades. Conforme vimos, o autor do mangá conseguiu colocar um perfeito “gancho” ao acrescentar o famoso dilúvio bíblico às façanhas de Poseidon e, agregando tudo isso a tendência natural desta deidade castigar diversos locais desferindo sobre estes sua fúria divina em formas de enchentes, não restam dúvidas da genial sacada de Masami ao agregar tudo isso neste personagem.

 

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Enchentes causadas pelo julgamento de Poseidon. Trecho retirado da 23ª edição de Saint Seiya lançada pela Conrad Editora.

 

A Lenda de Atlântida:

 

    Finalmente chegamos a Atlântida, a capital do reino de Poseidon, rodeada por inúmeros mistérios e incertezas. Na ampla pesquisa realizada pela Superinteressante descobrimos não somente muitas pistas sobre sua existência como também um pouco sobre os povos que habitaram nessa magnífica cidade submersa. Sem maiores rodeios, continuemos com nossa releitura avaliativa.

    Se não tem a sorte de possuir uma cidade continental para cultuá-lo, Poseidon tem no mar o lugar mais próspero da terra: Atlântida, localizada além das Colunas de Hércules, que hoje é o Estreito de Gibraltar.” – Trecho retirado de “Mitologia: Deuses, Heróis e Lendas” lançado pela Superinteressante.

    Como ficamos conhecendo em trechos anteriores, a civilização que habitou em Atlântida era extremamente evoluída e possuía uma vasta tecnologia náutica. Graças a isso, destacaram-se entre outros povos e dominaram o comércio marítimo do Mediterrâneo. Tendo Poseidon como sua divindade protetora, os atlantis conseguiram grandes avanços não somente no meio comercial, mas também no meio territorial. Seu desenvolvimento em relação a outros povos incitou essa civilização à dominação e, com isso, passaram a “dominar diversas áreas da África e da Europa.

    Evidente que essa conduta gerou o descontentamento de algumas divindades do Panteão Olímpico até que a cidade de Atenas, na Grécia, foi atacada. Esse é o ponto chave do nosso artigo. No artigo lançado por Masami Kurumada conhecido como Hipermito, a primeira Guerra Santa ocorreu entre os exércitos de Atena e Poseidon. Vejamos:

 

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Trecho retirado das páginas do Hipermito. Até o momento, não existe publicação nacional.

 

    Em Saint Seiya, o deus Zeus desapareceu do Olimpo definitivamente e, com isso, muitos deuses passaram a desobedecer aos acordos impostos por ele. Um desses deuses foi seu irmão, Poseidon. O deus dos Mares invadiu a superfície protegida por Atena e, com seus marinas, realizaram uma chacina entre a horda de Atena. Embora não gostasse do uso de armas, Atena permitiu o uso das Armaduras Sagradas. A partir desse ponto, não somente os cavaleiros venceram o exército marinho, dominando Atlântida, como também passaram a combater sobre a proteção dessas vestimentas. A vitória sobre Poseidon ficou conhecida como a Primeira Guerra Santa.

    Como vimos em outros trechos retirados da Superinteressante, Poseidon tinha inveja de Zeus: “Ao vencerem seu pai, Cronos, na guerra dos Titãs, Zeus fica com o Céu, Hades, com o Tártaro, e Poseidon, torna-se igual a Zeus em dignidade, ainda que não em poder. E, por isso, sempre terá inveja do irmão.” – Trecho retirado de “Mitologia: Deuses, Heróis e Lendas” lançado pela Superinteressante. Percebemos através desse trecho como Masami Kurumada conseguiu estreitar as linhas de acontecimentos da série com a história mitológica, afinal, apossar-se do território protegido por Atena seria o mesmo que tomar algo de Zeus em Saint Seiya, já que o grande deus deixou a Terra sob proteção de Atena.

 

As Colunas de Hércules e os Pilares de Poseidon:

 

    Retomando a descrição de Atlântida expressada nos trechos acima, a localização mitológica da capital do reino marinho era além das Colunas de Hércules. Hércules, como sabemos, foi o herói grego, filho de Zeus com a mortal Alcmena, possuidor de uma força incomensurável. Com base nisso, Masami Kurumada espertamente associa o nome do semi-deus poderoso e faz das 7 Colunas de Hércules os 7 Pilares de Poseidon, capazes de suportar o peso do oceano do mundo. Em outras palavras, faz os Pilares, praticamente, indestrutíveis. Naturalmente, cada um desses Pilares era protegido por um General Marina, os guerreiros mais poderosos de Atlântida.

    Essa questão da resistência dos pilares foi colocada a prova quando Seiya de Pégaso, após derrotar o General Marina de Cavalo Marinho, tenta destruir o suporte. Mesmo os cavaleiros que possuem o poder do Big-Bang ao queimar o cosmo, energia universal que se faz presente nesses guerreiros capazes de abrir fendas no solo com seus chutes e rasgar os céus com seus socos, não conseguiu se quer arranhar o imponente Pilar.

 

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Mapa do Reino do Mar – Atlântida - sob a óptica de Saint Seiya.

 

    Outra curiosidade sobre os Pilares de Poseidon é que cada um destes está situado em um dos sete mares da terra. Entre esses Pilares estão o templo de Poseidon e o Suporte Principal, que sustenta o edifício. Em outras palavras, cada um desses Pilares, simbolicamente, está localizado abaixo de um dos Oceanos. Tirando o Suporte Principal (localizado aos fundos do Templo de Poseidon) como um ponto de partida, seguindo no sentido horário têm o Pilar do Ártico, o Pilar do Pacífico Norte, o Pilar do Pacífico Sul, o Pilar Índico, o Pilar Antártico, o Pilar do Atlântico Sul e o Pilar do Atlântico Norte. Como jamais os pesquisadores conseguiram descobrir a localização exata de Atlântida, Masami Kurumada resolve essa questão magistralmente distribuindo as conhecidas “Colunas de Hércules” abaixo dos grandes oceanos. Com isso, temos toda a extensão aquática sob domínio de Poseidon assim como toda essa extensão fazendo parte de Atlântida.

 

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Imagem retirada da 3ª edição da “Série Grandes Mistérios” da Superinteressante.

 

            Como podemos ver acima, existem muitos mistérios ainda não esclarecidos acerca de Atlântida e, um destes, envolve sua localização.

 

Ouro, Prata e Auricalco:

 

    A terra também era muito rica em recursos naturais. Lá se encontravam em abundância ouro, prata e auricalco, uma liga metálica que só perdia em valor para o próprio ouro. - Trecho retirado de “Mitologia: Deuses, Heróis e Lendas” lançado pela Superinteressante.

    Discutirei brevemente sobre esse trecho mais a título de curiosidade em função da referência. Sem maiores delongas, as vestimentas que cobrem os corpos dos guerreiros do exército de Atena são chamadas de Armaduras Sagradas e, respectivamente, os de Poseidon, são chamadas de “Escamas”. Na hierarquia do exército de Atena, as classes de guerreiros obedecem à divisão de Bronze (sendo os guerreiros de conhecimento básico de cosmo e táticas de combate), de Prata (contendo guerreiros de poder intermediário que tem um cosmo mais desenvolvido) e os de Ouro (que possuem total controle sobre o cosmo e suas armaduras representam as doze constelações do zodíaco solar). Em Poseidon, existem as Escamas e estas proteções são feitas de “Oricalco”.

    No arco de Poseidon, em Saint Seiya, esses metais ficaram curiosamente em evidência, afinal, a guerra aconteceu para atrair a atenção dos Cavaleiros de Ouro, que por ordens do Mestre Ancião, não puderam sair das Casas do Zodíaco. Entretanto, a Armadura de Ouro de Libra se fez presente nesse arco para a destruição dos Pilares de Poseidon. Shina de Ofiúco, uma amazona de Prata, também foi designada a combater os marinas em Atlântida. É realmente muito interessante esse paralelo estabelecido pelo autor do mangá ao atribuir esses metais, sendo estes os principais recursos minerais de Atlântida na Mitologia.

 

Erro de Poseidon: Queda de Atlântida

 

    Atlântida, o único lugar onde Poseidon foi venerado à altura de outros deuses olímpicos, tornou-se um grande e opulento império. Até que ele cometeu um grande erro e seu reino acabou destruído pelas mãos do próprio deus, o mar.- Trecho retirado de “Mitologia: Deuses, Heróis e Lendas” lançado pela Superinteressante.

    Conforme vemos na passagem acima, Atlântida foi completamente destruída pelas mãos do próprio deus do mar devido a um grande erro. Não era de se estranhar que o mesmo se repetisse na ficção: Em Saint Seiya, Atlântida tomba com a queda do Suporte Principal ocasionando com isso a derrota de Poseidon. Intrigante que tal acontecimento também ocorre por um erro de Poseidon.

 

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Trecho retirado da 31ª edição de Saint Seiya. Na imagem, vemos o templo de Poseidon sendo engolido pelas águas atrás do Deus Marinho.

 

    O erro de Poseidon em Saint Seiya foi se deixar enganar por Kanon, prisioneiro de Atena, que tentou se passar por um de seus generais marinas para conseguir conquistar a terra. Tendo parte de seu cosmo despertado durante a Guerra Santa, a maioria das ações da deidade foi realizada por seu hospedeiro humano Julian Solo, que não possuía sua vontade e consciência divina. Tal despertar tardio acabou sendo a ruína de seu império.

    Com todos os sete Pilares Destruídos e o Suporte Principal derrubado com a união dos cosmos dos cavaleiros, que trajavam armaduras douradas, Atlântida desapareceu perante as águas que caíam sobre o reino marinho. Tal como nas passagens da Superinteressante: “Eis que nesse momento os deuses entram em ação. Um violento terremoto fez com que Atlântida sucumbisse ao poder do oceano.”. Um dos sábios gregos, Platão, também discorre sobre esse fato: “Em um dia e uma noite de infortúnio”, escreveu o filósofo “todos os seus guerreiros afundaram na terra e a ilha de Atlântida desapareceu nas profundezas do mar”.

 

        Curiosidades:

 

Zochoten e Krishna:

 

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Do lado esquerdo, temos a imagem de Zochoten, do lado direito, temos a estátua da Escama de Chrysaor.

 

    Podemos perceber que a base da criação do tóten da escama de Chrysaor (imagem direita) faz referência direta a Zochoten (imagem esquerda), um dos quatro reis celestes do budismo, sendo este o guardião da entrada sul do Monte Meru. Existe uma versão mais antiga dessa estátua no templo de Todaiji em Nara (Japão) e data do oitavo século. A relação externa (visualmente falando) que encontramos nas imagens está na figura da lança de ouro. Uma relação mais profunda é que Chrysaor, embora servisse a Poseidon, era hinduísta. Ele possuía o Kundalini, a energia cósmica corporal (conforme era conhecida na Índia) que permitia a liberação do Maha Roshini, sua técnica mortal mais poderosa. 

 

Conclusão:

 

    Com base nos elementos que envolvem a obra de Masami Kurumada, podemos ver nessa releitura como os acontecimentos da série fictícia estão harmonicamente entrelaçados com liames estabelecidos na Mitologia Grega entre outros textos relacionados. Conseguimos perceber nessa breve releitura os principais elementos que compunham o arco de Poseidon de Masami Kurumada e compará-los com os acontecimentos que estão registrados no cânone na literatura mundial e, com isso, identificar todas as referências do autor para com aos textos originais. Com isso, a afirmativa: “Saint Seiya está diretamente vinculado ao campo da Literatura Comparada” torna-se verdade, após vermos brevemente todos os pontos avaliados nesse artigo.

 

 

Bibliografia

 

Mitologia: Deuses, Heróis e Lendas

Editora Abril

http://www.quartelcanvete.com.br/news/superinteressante-a-lenda-de-atl%C3%A2ntida/

http://www.quartelcanvete.com.br/news/super-interessante-materia-sobre-poseidon/

Autores: Maurício Horta, José Botelho e Salvador Nogueira

 

Bíblia Sagrada

Gênesis capítulo 6, versículos 17 ao 22

 

3ª Edição Série Grandes Mistérios Superinteressante

http://www.quartelcanvete.com.br/news/superinteressante-materia-sobre-atl%C3%A2ntida/

Editora Abril

Autora: Renata Caprara

 

Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco

Editora Conrad

Edição 23 ao 31

 

Trabalho realizado por Lucas Saguista      

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