CRÍTICA A "ATAQUE DE TITÃS", DE NICK NARUKAME

04/04/2014 23:16

Crítica a Ataque de Titãs, de Nick Narukame

Por Lucas Saguista

 

    Apesar do péssimo (ou mal ajustado) senso de humor do colunista, eu devo reconhecer que a titulação “Ataque de Titãs” foi bem posicionada (quem dera este tivesse essas luzes durante toda sua produção), pois faz uma alusão perfeita sobre a titanomaquia abrangida na obra. Aliás, minha primeira impressão ao ler esse título, após tantas decepções anteriores na revista, foi extremamente positiva, pois, pensei: “Finalmente, um colunista que sabe do que está falando”, para minha infeliz surpresa, acabei descobrindo que não passava um engraçadinho fazendo gracinhas e nada mais.

    “Após uma tentativa de assassinato, cujo alvo era o bebê reencarnação da deusa Atena, um inocente (um daqueles caras que só aparecem no lugar errado e na hora errada), é acusado desse crime e é morto sem dó nem piedade.” por Nick Narukame.

    Convenhamos que esse parágrafo não serve nem para apresentar os personagens principais da trama, nem para resumir de maneira esclarecedora “O Grande Prólogo”, assim intitulado, que apresentou Episódio G. Nesse capítulo introdutório, Megumu Okada retoma o capítulo “Todo poder da armadura de ouro” (12º Vol. lançado pelo Conrad Editora), que Saori explica os acontecimentos passados no Santuário há treze anos, só que, dessa vez, mostrado pela óptica do conflitante Saga de Gêmeos sob a identidade de Grande Mestre. Acrescentando um fato inédito a trama, que está na projeção cósmica de Cronos entregando a Adaga para Saga (sendo que no mangá Clássico, no capítulo “A armadura de Atena”, 38º Vol. lançado pela Conrad Editora, descobrimos que aquela adaga foi uma oferta dos espectros), vemos a perspectiva do oscilante cavaleiro divido entre suas índoles até o recinto da deusa para matá-la. Foi nessa ocasião que Aiolos de Sagitário intervém e acaba desmascarando a identidade do usurpador. Apesar de estarmos carecas de saber a história e enjoados de parágrafos introdutórios, ainda existem leitores que desconhecem a obra, por isso, a importância de um resumo bem consistente, ainda mais em uma revista voltado para essa temática de anime e mangá.

    “Mas, como esse indivíduo não era filho de chocadeira e ter um membro da família na “cidade dos pés juntos” por um crime tão hediondo não dá boa fama para ninguém, o irmão de Aiolos, Aiolia, (acho que os pais deles estavam com déficit de criatividade quando os meninos vieram ao mundo), começou a comer o pão que o diabo amassou com o rabo, pois era vítima de bullying constantemente, sendo excluído, humilhado e desprezado.” por Nick Narukame.

    A impressão que tenho observando esse trecho é que Nick Narukame estava mais interessado em acrescentar humor (Alá Zorra Total) do que fazer uma introdução propriamente dita sobre Episódio G. Não precisa analisar muito para notar que esse artigo deve ter sido feito diretamente para os leitores do mangá, mas não para os futuros apreciadores da obra, já que citações referentes à Aiolos ou Aiolia não são feitas de maneira a apresentá-los, o que torna inviável um entendimento prévio dos novos leitores. Aliás, praticamente toda a abordagem envolvendo Aiolos de Sagitário e Aiolia de Leão em Episódio G é fortemente carregada num tom dramático e sentimental, em raras ocasiões extraímos humor, então, não entendo qual passarinho verde deixou tão animadinho esse colunista na produção desse artiguinho.

    Aliás, o que deveria ter sido advertido previamente acerca dessa obra, que muitos fãs desconhecem ou desconsideram, é que o enredo é voltado especialmente para os irmãos Aiolos de Sagitário e Aiolia de Leão. Essa afirmação foi colocada no final do primeiro volume de Episódio G pelo editor chefe André Miyazawa em julho de 2004.

 

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    Resumindo muito rapidamente para trocarmos de tópico, os primeiros capítulos de Episódio G são protagonizados por Aiolia de Leão em algumas missões distribuídas pelo Santuário. Somente as vésperas da União Dourada, momento decisivo marcado pela invasão de um deus titã ao Santuário, que os fragmentos do passado de Aiolos de Sagitário e o desenvolvimento psicológico de Aiolia naquele meio conturbado vão aparecendo. Na União Dourada, Aiolia acaba trocando hostilidades com Máscara da Morte de Câncer e, por esse motivo, é destinado pelo Grande Mestre para enfrentar o invasor. Somente nesse ponto da história que conhecemos mais profundamente a origem dos chamados deuses Titãs (capítulo 6, O Ser de Ébano).

    Obviamente que, seguindo a revista, deveria haver um espaço destinado para apresentar os “outros protagonistas”, no caso, os deuses Titãs, tão importantes, que tiveram uma abordagem introdutória muito consistente no mangá e, em vários momentos, temos a narrativa do mesmo voltado para a perspectiva deles. Entretanto, nosso colunista, nos apresenta a seguinte explanação:

Como desgraça sempre é necessário para cativar a atenção dos leitores, os Titãs (não, não são os gigantes gordos que possuem como único objetivo de vida devorar humanos e sim deuses antigos que antecederam o reinado do todo poderoso Zeus) são libertados de sua prisão e lutam com unhas, dentes, raios e trovões para reaver a arma de seu líder Chronos: a Gadanha Megas Drepanon, que se encontra selada no santuário.” por Nick Narukame.

    Acreditem que a única parte destinada aos principais adversários e responsáveis pela nova titanomaquia, por assim dizer, tiveram apenas esse parágrafo de explicação por parte de Nick. Se eu fosse um leitor, que jamais ouvira falar em Episódio G e dependesse dessa matéria para saber mais sobre a obra, provavelmente, eu já teria virado a página há muito tempo. Percebam que não estou fazendo apologia à extração do humor em artigos, pelo contrário, o humor é um recurso extremamente necessário, mas deve ser usado moderadamente, até por que, a explanação dessa obra de Megumu Okada deveria ser a prioridade.

    Em relação à libertação dos Titãs, que não foi por acaso, nosso colunista deveria atentar para a interferência de Pontos, um deus primordial, agindo nos bastidores em Episódio G. Foi justamente esse deus que encontrou um meio de libertar os deuses titãs de seu enclausuro no Tártaro e trazê-los para o presente com o intuito de direcioná-los ao Santuário padroeiro de Atena. Dos Titãs ressuscitados foi Hyperion de Ébano que invadiu o Santuário em busca da arma divina de Cronos selada por Zeus naquele local: A Megas Drepanon. Obviamente, que este acaba sendo interceptado por Aiolia de Leão e ambos travam uma acirrada batalha.

As desventuras de Aiolia e sua trupe receberam o traço de Megumu Okada em vez dos do bom e velho Masami Kurumada, o que tornou os heróis muito “fofinhos”, mas de um modo nada positivo.” por Nick Narukame.

    Embora mude seu discurso ainda nesse parágrafo destinado ao traço, gostaria de registrar que um dos pontos mais interessantes de Episódio G é, de fato, a arte. Simplesmente, a primeira impressão que tive dessa nova interpretação artística de Saint Seiya foi muito mais positiva que a do Clássico, afinal, minha primeira experiência com a obra por um todo foi através do anime. Imaginem a minha decepção ao abrir o primeiro volume de uma obra tão magnânima e ver aquela mediocridade... Sinceramente, a meu ver, acredito que qualquer pessoa que acompanhou Cavaleiros do Zodíaco pela animação e teve a oportunidade de ver o mangá teve uma expressão de extrema surpresa (provavelmente negativa).

    O que mais me surpreendeu em Episódio G foi que a arte não se limitava essencialmente as armaduras, que ganharam relevo e alguns detalhamentos em espécies de mosaicos, mas abrangeu também os cenários, que eram ignorados na obra mãe, assim como o estilo de quadrinização ganhou um novo aspecto mais realístico notavelmente observado (principalmente) nos combates. A grande crítica existente no Episódio G hoje está diretamente ligada à mudança drástica de traçado de Megumu Okada, que literalmente, reinventou todos os personagens da metade para o final do mangá e acabou alterando consideravelmente a arte inicial, que tinha lá seu brilho. 

 

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(À esquerda) vemos Aiolia de Leão no início de Episódio G, (à direita), vemos Aiolia nos capítulos finais da obra.

 

    Percebam através das formas do protetor da cintura como ocorreu uma violenta alteração, principalmente na proteção do abdômen e tórax. Os protetores dos braços na versão final ficaram exageradamente longos e perderam aquele formato mais real de armadura. Os detalhes que eram em alto relevo no início acabaram se convertendo em (lantejoulas, risos...) chamativos formatos circunferênciais, que até parecem que estão sobrepostos nos protetores, diferente de antigamente, que pareciam detalhamentos das próprias peças. Realmente, hoje, vemos uma surpreende reviravolta em termos de arte por parte de Megumu Okada, contudo, considerando a arte inicial, podemos atribuir rendáveis elogios mais modestos que “fofinhos” para a saga G.

    Enfim, evitarei destinar os parágrafos finais dessa matéria para discutir coisas vãs como as segundas interpretações do “G” existente no título abordado por Nick, pois, convenhamos que humor desse nível tem lugar: A Praça, não um revista destinada aos fãs de anime e mangá. Acredito que os leitores devem conhecer a fundo as obras debatidas nessas revistas e procurarem mais informações acerca da obra para agregar, ou não, o material lido no artigo, ainda mais hoje, que a informação está à disposição de todos. Infelizmente existe uma forte onda de comodidade, onde muitos preferem ficar com a primeira impressão que é vendida, mesmo não sendo esta confiável, do que procurar conhecer aquilo da qual está se lendo para ter uma real opinião sobre o assunto, não com embasamentos tendenciosos e dirigidos de alguém, mas sim, uma opinião estruturada através dos próprios conceitos de certo e errado.

 

Por Lucas Saguista

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