CRÍTICA A "SAINT SEIYA ÔMEGA: A NOVA GERAÇÃO DE BRONZE", DE TON BOTTICELLI

05/04/2014 17:52

Crítica a "Saint Seiya Ômega: A Nova Geração de Bronze", de Ton Botticelli

Por Boneco de Neve

 

 

        É isso aí, senhores. Boneco de neve está aqui, sob aprovação do Quartel Canvete, pra comentar sobre o artigo escrito por Ton Botticelli na revista Neo Tokyo ao mês de março desse ano referente à série Omega, o qual complementa a série de artigos sobre CDZ e todas as suas séries derivadas exibidos nessa mesma edição.

 

        Diante da reação dos membros do quartel e também do pessoal da página de facebook Manitroll em relação a esses artigos, eu confesso que fiquei surpreso. Ao que parecia, os colunistas da Neo Tokyo fizeram uma bela lambança com CDZ, especialmente com os spin-offs da franquia. Os membros do quartel foram então convidados a fazerem resenhas críticas referentes a esses artigos e eu, como modesto apreciador de Omega, me ofereci a fazer uma resenha sobre tal série. Logo depois, as imagens com os artigos me foram passadas e tomei a liberdade de ler todos eles. Na minha humilde e nevada opinião, eu tenho minhas dúvidas se esses artigos foram feitos com alguma má índole, pois eu não acho que as críticas foram tão pesadas assim. Eu particularmente já vi críticas MUITO piores a Omega enquanto surfava na minha rede nevada. Porém, eu tenho que concordar com o quartel que os colunistas não fizeram um bom trabalho. Os problemas nesses artigos, pelo o que eu vi, incluem muitas informações errôneas e gracejos infames, estes últimos encontrados principalmente nos artigos feitos por Nick Narukame, que, se me permitem dizer, ficaram zuados (Especialmente o do Episódio G). Portanto, como o Quartel Canvete e o Manitroll se comprometeram a divulgar CDZ através de informações fiéis, acho justo que os membros das respectivas páginas se manifestem a respeito. E assim, aqui estou eu para dar uma forcinha.

        Pra facilitar a vida do nossos caros leitores, vou dividir os pontos importantes que achei no artigo:

        1) Logo de cara, o artigo toca num ponto delicado ao se referir a Omega como "uma mistura do estilo de Garotas Mágicas com a velha e boa pancadaria de Saint Seiya". É verdade que Omega possui alguns detalhes que fazem dela uma série mais "suave" em comparação às outras séries de CDZ, sendo o traço da primeira temporada o detalhe mais notável. O que eu gostei nesse traço é que, graças a ele, os personagens (ou pelo menos os cavaleiros de bronze) ganharam uma aparência mais condizente com as suas idades, uma coisa que não acontecia na série clássica, cujo traço fez os personagens parecerem mais velhos do que realmente são (Seiya, por exemplo, tinha 13 anos na série clássica, mas parecia ter cerca de 20). Porém, esse traço da série Omega não foi bem visto pelos fãs. Acharam afeminado demais. Isso possivemente se deu por causa do chefe designer de Omega, Yoshihiko Umakoshi. Além de Omega, ele foi respondável pelo design de personagens de, entre outros animes, algumas temporadas de uma série de anime de Garotas Mágicas muito popular no Japão, Pretty Cure (ou simplesmente Precure). Nem precisa ser detetive pra deduzir o que houve depois: Os fãs associaram um com o outro, dando origem à fama de "gay" do Omega. E como "a primeira impressão é a que fica", Omega acabou carregando esse estigma pelo resto de sua exibição, mesmo depois da troca de desenhista na segunda temporada (que tornaram os personagens mais parecidos com os da série clássica) e infelizmente vai continuar carregando por mais um tempo. Alguns podem até contestar o motivo, dizendo que isso só aconteceu no Japão; só que uma coisa inegável nessa vida é que fã é um bichinho difícil de se lidar. Muitos deles são "Maria-vai-com-as-outras": Quando alguns falam mal de algo, alguns outros tendem a concordar pra não ficar de fora da "modinha". E todo mundo sabe que, como diz o ditado, "quem conta um conto, aumenta um ponto", ou seja, o pessoal inventa mais coisa e só piora a situação. Por causa disso tudo, Omega ganhou essa enorme parcela de infâmia entre os fãs de CDZ.

        Francamente, isso pra mim já tá beirando o inadmissível. Não é porque o traço é parecido com o de um desenho de Garota Mágica ou alguns poucos detalhes possam remeter a tal coisa que Omega mereça esse tipo de fama. Eu não condendo o colunista por associar Omega ao estilo Magical Girl, mas fato é que Omega é anime shounen, ainda que não seja tão agressivo quanto as outras séries de CDZ ou outros animes do gênero. Recomendo aos leitores para que acessem a pesquisa de imagens do Google e digite Yoshihiko Umakoshi. Vocês vão encontrar, de cara, ilustrações dos cavaleiros de ouro da série clássica feitas pelo próprio Yoshihiko. São ótimos, sem mais nem menos; tenho certeza de que vão gostar. E ainda por cima isso corrobora tudo o que eu falei aqui.

        2) Logo depois, o artigo diz que "o vilão não é 'só' um deus grego, mas sim o próprio planeta Marte, que resolve dominar a terra [...]". Primeiro, Marte não é um deus grego, é um deus romano (embora Omega nunca tenha falado em Panteão Romano, apesar das várias referências no decorrer da série inteira). Curioso que ele tenha feito uma confusão desse calibre, mas, se me permitem, vou abordar isso no próximo ponto. Segundo, durante toda a primeira temporada, o planeta Marte nunca mostrou nenhum tipo de consciência própria. Aliás, se tivesse, os outros planetas também haveriam de ter, incluindo a própria Terra. Se fosse assim, Omega mostraria um verdadeiro embate planetário (o que seria "mecha mucho loco"), mas isso não aconteceu. No começo, o deus Marte, ou melhor (para não confundir), Ludwig queria sim dominar a terra pra reformá-la, mas depois quis usar o planeta vermelho como um "template" pra construir um novo mundo às custas do cosmo da Terra. O planeta não fez quase nada por si, a não ser puxar o cosmo da Terra pra si mesmo quando chegou perto dela o suficiente (e no processo, ironicamente matou Ludwig, que àquela altura estava moribundo graças a Kouga). Ou seja, o planeta Marte não era inimigo de fato, da mesma forma que o planeta Saturno não foi na segunda temporada (e sim o deus homônimo).

        3) O fato do artigo mencionar Ares e associá-lo a Marte me deixou intrigado. Acredito que o fato do colunista ter se referido anteriormente a Marte como deus grego se deu ou porque ele considerou Ares e Marte como uma única entidade ou então escreveu errado mesmo ou então ele é extremamente mal informado (o que me custa a acreditar). Fato é que em CDZ como um todo, as divindades gregas e romanas são distintas, ou seja, Ares e Marte não são a mesma entidade, assim como Cronos e Saturno também não são. Vale lembrar que Ares não tentou dominar a terra da mesma forma que Marte. No Hipermito (pra quem não sabe, é a obra literária que explica a origem dos cavaleiros e suas armaduras, além de narrar sobre as primeiras guerras santas), Ares simplesmente queria acabar com Atena e seus cavaleiros na mais pura marra pra dominar a Terra. Já em Omega, Marte foi um pouco mais sutil (e mais esperto, se me permite dizer); ele capturou Saori intentando usar seu poder para construir um novo mundo e ainda por cima conseguiu fazer boa parte dos cavaleiros de Atena apoiarem a sua causa (diga-se de passagem, com a ajuda involuntária da Aria, a pobre e frágil menininha que Marte forçou a se passar por Atena). Além disso, Ares e Marte tinha exércitos diferentes; Ares tinha os seus Berserkers, que eram guerreiros tão tinhosos que Atena se viu forçada a liberar o uso das Armas de Libra pra ganhar a guerra contra o deus grego da guerra nas eras mitológicas; Já Marte tinha os Marcianos, cuja grande maioria era composta de idiotas (Não foi à toa que Marte preferiu enrolar os cavaleiros a ter que bater de frente com eles). Sendo assim, repito, Ares e Marte são entidades distintas no universo CDZ.

        4) Mais a frente, o artigo fala que os marcianos usam "poderes parecidos com o cosmo, mas com energia das trevas". Mais a frente, ele cita os cavaleiros de bronze e seus elementos, os quais ele cita como "poderes especiais". O colunista praticamente colocou o cosmo e as habilidades elementais como coisas distintas, quando na verdade é o contrário. A primeira temporada apresentou o uso do cosmo com uma nova dinâmica, na qual o cosmo de cada cavaleiro expressa pelo menos um elemento diferente, ou seja, o cosmo e o elemento estão intimamente ligados. Sendo assim, existe cosmo de fogo, de vento, de luz e assim vai. Na verdade, isso de certa forma sempre existiu em CDZ; só na primeira temporada de Omega isso ficou mais bem definido. Particularmente, eu não acho a adição do estudo de elementos em Omega algo ruim. De fato, Omega tentou padronizar os golpes dentro do sistema elemental. O grande problema disso é que tem certos ataques em CDZ que são difíceis de incluir em um determinado elemento, ou seja, o sistema é falho. Por exemplo, em que elemento vocês leitores incluiriam a Explosão Galática? Ou os ataques sonoros, feitos por Sorento de Sirene, os cavaleiros de Lira e Mime de Benetnasch? Acreditam que até hoje tem gente discutindo qual é o elemento do Hyoga, mesmo tendo ele sido divulgado oficialmente pela Toei (Só pra constar, é água)? Isso acontece porque é difícil de definir mesmo. Por isso, o sistema foi cada vez menos referenciado no decorrer de Omega, até que na segunda temporada isso se tornou caso encerrado.

        5) "Na série original, Saori junto de seus cinco cavaleiros de bronze desceu a porrada em Ares, Poseidon e Hades [...]". Peraí... Ares? Alguém aí viu Ares na série clássica? Se teve algum Ares que apareceu na série clássica (pra ser mais exato, no anime), foi um cavaleiro de prata que herdou de Shion o posto de grande mestre, mas acabou morto por Saga, tendo seu posto usurpado pelo mesmo. Já o deus grego Ares não apareceu em momento algum da série clássica. Sinceramente, eu tô comentando sobre um artigo de Omega e eu sou obrigado a corrigir um erro referente a série clássica, que é simplesmente a mais popular de todas? Na boa, esse colunista não só pisou feio na bola aqui como caiu de cara no chão.

        6) O artigo menciona que os cavaleiros passaram a treinar para "dominar os elementos, vinculando cada signo a um deles". Eu ia até fazer outra crítica aqui, mas resolvi fazer como o Roger e fui pesquisar no Dicionário Aurélio. Aí, descobri um detalhezinho "mórbido" aqui. Signo é, em termos astronômicos, "cada uma das 12 divisões do zodíaco" ou "constelação correspondente a cada uma dessas divisões". Em suma, todo signo é uma constelação, mas nem toda constelação é um signo. O erro que o colunista cometeu aqui (e repetiu mais adiante) foi usar a palavra signo como sinônimo de constelação e não é bem assim. Até porque, não acredito que alguém tenha nascido sobre o signo de pégaso ou de leão menor ou de... Microscópio? Bom, seria uma viagem e tanto se fosse assim...

        Além disso, eu tomaria cuidado em dizer que cada elemento está vinculado a um signo. Não me lembro da série ter feito esse tipo de abordagem no seu decorrer, então isso pra mim não passa de especulação. Pode até parecer fácil enxergar um vínculo entre algum signo e um elemento, mas há de lembrar aqui que tem cavaleiros que possuem domínio sobre mais de um elemento. Por exemplo, segundo informações oficiais da Toei, Kiki tem o domínio sobre a terra e Genbu sobre a água, mas nenhum dos dois mostrou isso no anime. Esse também é um ponto de debate interessante entre fãs, mas há de se ter cautela com isso.

        7) Já mais a frente, encontramos isso: "Cada episódio realmente tem um gancho bom ao final e a inclusão de clichês da história, como passar pelas 12 casas do Santuário e usar Atena como refém para que os cavaleiros lutem, não soa tão ruim no seguir da trama." Eu concordo com quase tudo o que ele disse aqui. Omega teve uma porção de clichês, a maioria deles extraídos da série clássica. Falta de originalidade? Depende de quem vê. Fato é que os produtores de Omega queriam duas coisas: Adquirir um público novo pra franquia (o que eu imagino que deva ter conseguido) e resgatar o público antigo (o que imagino o contrário). Portanto, acredito eu que os produtores de Omega fizeram um grande esforço para vincular Omega a série clássica, o que aos olhos de muitos fãs, comprometeu a originalidade de Omega. Isso é questão de opinião pessoal, então nem vou me adentrar nesse detalhe.

        Agora a ressalva que eu tenho nesse ponto é essa: Dizer que Marte pegou Atena simplesmente pra forçar os cavaleiros a lutar? Quem assistiu Omega, viu que Ludwig era sim um sujeito perturbado. Agora, sádico ele não era. Se dar ao trabalho de fazer toda aquela armação envolvendo Aria, os marcianos, seus próprios filhos, sua mulher e os cavaleiros de prata e de ouro, só pra se divertir às custas de uns poucos cavaleiros de bronze? Não tem o menor sentido! Marte se mostrou muito focado durante boa parte da primeira temporada; ele não faria uma tramóia daquelas por tão pouco. Aliás, eu não vi isso nem em Omega e nem me lembro de visto algo similar em qualquer outra série de CDZ. Sério, ô artigo espantoso.

        8) Um ponto interessante que o colunista abordou aqui foi um em relação às personalidades dos personagens principais. A partir desse quesito, o colunista fez um comparativo entre os personagens de Omega e os da série clássica. Ele listou apenas dois exemplos: Primeiro, o Ryuho, o qual foi referido como sendo "quase um Shun". Bem, dessa não dá pra discordar então nem vou discutir. Segundo, Haruto; este, segundo o artigo, herdou a "arrogância de Hyoga". Aqui, eu acho que houve uma má escolha de palavra. Acredito eu que qualquer outro fã de CDZ há de concordar que Hyoga não é um arrogante. Talvez a palavra que melhor que se aplica tanto ao Haruto quanto ao Hyoga é 'perspicácia'. Os dois são bons estrategistas e tentam ao máximo arrancar vantagens das situações em que estão inseridos. É verdade que a perspicácia de um difere do outro: Hyoga costuma testar seus oponentes com seus poderes de gelo e Haruto usa suas habilidades de ninja pra obter informações de tudo quanto é tipo. De qualquer forma, os dois são guerreiros sagazes. Outros exemplos que ele poderia ter dado seriam Kouga, que herdou a persistência e a devoção de Seiya, e Eden, que herdou traços da personalidade agressiva de Ikki, embora tenha um coração bem mais gentil do que o cavaleiro de Fênix.


        Eu até poderia comentar algo sobre a última página, só que ela é inteiramente composta de opiniões pessoais do colunista, assim como alguns outros pontos ao longo do artigo, e não acho que valha a pena ficar comentando sobre elas. Sendo assim, acho que isso é tudo o que eu poderia comentar em relação a esse artigo. Porém, como avaliação final desse artigo, eu diria que, se Caco Antibes fosse fã de CDZ, ele odiaria esse artigo do fundo da alma dele: É um artigo pobre, informativamente falando. Ele não só apresentou várias informações incorretas sobre Omega como também algumas da série clássica. Tenho quase certeza que ele pouco assistiu CDZ e, por isso, absorveu pouca informação e, pra tentar compensar isso, foi pesquisar na internet pra pegar mais alguns dados pra tentar dar mais consistência ao seu artigo. Claro que não tô condenando o colunista por pegar informações da internet; isso todo mundo faz. O problema é que a pesquisa pelo jeito foi feita de forma muito rasa. Isso comprometeu drasticamente a qualidade informativa do artigo. É realmente lamentável que um artigo desses tenha ido parar numa revista tão conhecida como a Neo Tokyo. Se tem um ponto positivo nesse artigo, porém, é que o colunista pelo menos manteve um tom razoavelmente sério e não saiu avacalhando como a Nick fez no artigo do Episódio G, mas isso não compensa tudo o que foi escrito no artigo.

        Quanto a Neo Tokyo, é no mínimo incômodo que uma revista tão famosa entre os fãs de anime saia publicando matérias com um teor informativo tão fraco como fizeram com CDZ. A Neo Tokyo, sendo uma revista, é uma publicação de imprensa e, ainda que seja apenas uma revista de entretenimento, tem o dever de mostrar as informações de forma mais correta e imparcial possível, as quais os leitores têm todo o direito de ler. Quando uma revista não tem esse cuidado com a informação a ser divulgada, ela perde sua credibilidade e os seus leitores também têm o direito de exigir que ela seja mais responsável, pois são eles que mantém a revista existindo. É por mais esse motivo que o Quartel e o Manitroll têm razão em se manifestar contra a revista e também serve pra mostrar que nem todo fã é idiota. Ainda, eu vi, além dos artigos, uma página da revista dizendo que eles avaliam os artigos que recebem. Eu imagino que essa avaliação se limite a averiguar pelo menos a ortografia dos artigos. Isso é importante, lógico, mas isso obviamente não é suficiente. A prova tá bem aqui. Eu sei que não é fácil avaliar tanta coisa, mas é como eu disse antes: A Neo Tokyo, sendo uma publicação de imprensa, tem o compromisso de dar informações fiéis aos seus leitores. Do contrário, não tem motivo para ela continuar a ser publicada.

 

        E é isso, pessoal. Eu peço desculpas pela demora, mas tenho tido problemas de tempo e também queria que me certificar que essa resenha saísse bem completa e bem caprichada. Agradeço a paciência de todos e espero que isso tudo seja de grande proveito para todos.

 

Por Boneco de Neve, que apoia Harbinger como Grande Mestre.

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