GÉLIDO AMADORISMO POR BONECO DE NEVE

13/12/2014 22:47

Gélido Amadorismo

por Boneco de Neve



 

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        Aqui estou eu novamente, depois de MESES inoperante nesse quartel (o que é uma vergonha, eu sei), para fazer outra resenha crítica e de novo sobre matéria de revista Neo Tokyo. Dessa vez, a Neo Tokyo fez uma edição "comemorativa" de Cavaleiros do Zodíaco e, mais uma vez, o Quartel torceu o nariz. Eu, que sou um boneco de neve nada ortodoxo, me ofereci a fazer uma resenha e fui ver o material. A princípio, não achei que fosse necessário escrever uma resenha, porque a parte que me interessava pra fazer a resenha, que era a parte que falava de Ômega era MUITO curta; tão curta que mal valeria um parágrafo de resenha. Mas, enfim, me ofereci a fazer a resenha e longe de mim de deixar o Quartel na mão.

 

        Para não deixar a resenha curta demais, vou tomar a liberdade de fazer uma rápida análise geral do texto. À primeira vista, achei o texto bom. De certa forma, esse artigo saiu ligeiramente melhor do que a matéria que o Quartel abordou na resenha anterior. A primeira parte do artigo, que diz respeito ao sucesso de CDZ desde o Japão até aqui no Brasil, se mostrou bem elaborado e bem informativo, o que deu a entender que a (presumidamente única) autora do texto, Lily Carroll, se deu ao trabalho de pesquisar melhor sobre o assunto, pelo menos no que diz respeito ao histórico de CDZ. Na segunda parte, porém, onde a autora abordou várias obras de CDZ, teve alguns detalhes reprováveis, sendo que três deles eu considerei críticos.

 

  1. Informações erradas: Foi um dos pontos que eu critiquei severamente na minha resenha anterior e vejo que isso voltou a se repetir nesse artigo da Neo Tokyo. O exemplo mais grave disso, a meu ver, aconteceu na parte em que abordava o mangá Saintia Shô, onde está escrito que os eventos do mangá ocorreram após os acontecimentos da Guerra Galáctica, quando na verdade aconteceram antes, tanto que recentemente Saga e Afrodite apareceram no mangá ainda vivos. Enfim, houve um aparente desdém não só aqui como em toda a segunda parte.

 

  1. Abordagens desequilibradas. Uma coisa que não dá pra deixar de reparar no artigo é que muitas das obras tiveram abordagens muito breves em relação a algumas poucas, sem contar que foram pouco informativas também. Algumas obras deviam ter uma abordagem maior, especialmente os filmes, cujas descrições não tinham sequer 50 palavras cada. As poucas séries que conseguiram ocupar duas páginas na revista (só pra constar, teve série que não ganhou nem meia página de abordagem no artigo) foram o mangá e o anime clássicos e ao fanzine do Diego Maryo, a "Saga dos Deuses". Nada contra a uma abordagem maior à série clássica, afinal ela foi o ponto de partida de todas as outras, então tem mérito; o que eu acho estranho é que uma obra de fã tenha ganhado um destaque da mesma magnitude, pois, apesar de ter lá um traço que tenta remeter ao do Shingo Araki (pra quem ainda não sabe, ele foi o artista responsável pelo traço do anime clássico de CDZ) e por contar com famosos dubladores brasileiros pra realizar audiodramas, ela não tem supervisão do Kurumada e duvido até que ele tenha conhecimento dessa obra. Um detalhe adicional é que essa obra é acessível mediante pagamento, o que significa que, apesar de muitos saberem da existência dela, nem todos têm condições de acessá-la, o que limita os fãs de um conhecimento mais profundo desse trabalho em particular. Sem contar outros detalhes que não vale a pena abordar aqui, é no mínimo injusto que essa matéria tenha ganhado tamanha atenção por parte da autora enquanto outras, com a supervisão de Kurumada, tenham ganhado tão pouco espaço na revista.

 

  1. Parcialidade: Quando se produz uma matéria informativa, há de se tomar cuidado com suas próprias opiniões. De forma implícita ou explícita, elas acabam influenciando o teor da matéria a ser produzida. De qualquer forma, isso é algo que tem que ser evitado numa matéria, pois compromete a credibilidade não só do autor da matéria como do veículo de informação em que ele publica essa matéria. Um redator esperto pode até conseguir exprimir sua opinião numa matéria sem que ninguém perceba, tornando a matéria minimamente tendenciosa. Do contrário, o redator seria um completo amador que não tem esmero com a matéria que publica. Essa infelizmente é a sensação que eu tenho da Lily Carroll, pois ela simplesmente não se importa em como ela exibe o seu conteúdo. Não bastassem os diversos erros de português, as piadinhas ridículas que de novo assolam uma matéria da Neo Tokyo, ela ainda tinha que exprimir a sua índole quase histérica em prol da infame cena da casa de libra no anime clássico. Isso foi uma extrema falta de sensibilidade por parte da autora, sem contar que foi um tiro no pé. O problema de exibir uma opinião própria num grande meio de informação é que sempre tem alguém que não concorda; sem contar também que a opinião de um nesse meio não é necessariamente a opinião de todo o pessoal envolvido com esse meio. Por isso, é sempre bom pensar duas vezes antes de exibir opiniões próprias, especialmente nos casos em que se sabe que o público não vai aceitar ou se estiver na dúvida se o público vai concordar ou não. A autora não ligou pra isso e saiu aplaudindo uma cena que, muito provavelmente, a maioria dos espectadores não gostou de ver na série clássica. Não estou criticando o fato de ela gostar de ver homem se pegando; isso é problema dela, eu não tenho nada com isso e é exatamente por esse fato que eu digo que não tenho que ter a obrigação de ver uma coisa dessas em uma matéria, gostando eu dela ou não. Eu fiquei constrangido ao ver essa declaração da autora, com a audácia dela de tê-la publicado e tenho certeza de que não fui o único. Foi um ato vergonhoso por parte da autora, que pode custar os leitores dessa revista, o que com certeza não é bom para ela.

 

        Essa foi minha análise geral, que confesso que saiu maior do que gostaria. Enfim, agora vamos ao tema que realmente me propus a falar, que é sobre a parte de CDZ Ômega. A abordagem que a autora deu para Ômega ficou bem pequena, assim como as abordagens que ela deu sobre as outras obras relacionadas à CDZ. Isso infelizmente fará com que a minha análise dessa parte saia bem menor do que minha análise geral. Não estou criticando a autora por ter deixado a parte de Ômega pequena, até por quê, tenho que considerar que existiam outras obras que mereciam um foco maior no momento. A parte de Ômega ficou inicialmente razoável, não tendo erros graves, mas também não dando detalhes demais aos fatos. O que ficou ruim nessa parte foram, assim como em vários outros pontos de toda a matéria, as informações errôneas, que vieram, de uma forma geral, da falta de conhecimento da autora em relação a essa série. Vamos a elas.

 

  1. Referente às descrições bem ligeiras dos co-protagonistas de Ômega, a autora chamou Souma de Leão Menor de “esquentadinho”. Levando em consideração que ele usa cosmo flamejante, não é um apelido de todo errado. Mas chamar alguém de esquentadinho dá a entender que ele é pavio curto, o que Souma normalmente não é. Enquanto é verdade que ele tenha ficado furioso em algumas situações, em especial quando Sonia de Vespa tripudiou do finado pai dele, que foi morto pela própria, nas ruínas do fogo, na maioria das vezes em que vemos Souma agindo de forma descontraída e despreocupada e, em combate, ele costumas se mostrar bem focado. Quem é realmente esquentadinho em Ômega é o Kouga, que não pode ouvir uma provocação que já quer sair destilando meteoros, quase como Seiya era na série clássica. Uma nota pessoal é que eu acho interessante que ela tenha chamado Souma de esquentadinho, pois, por associar fogo à fúria, as pessoas costumam por tabela a considerar qualquer sujeito que manipule fogo como uma pessoa enraivecida. Eu não sei dizer se isso é um clichê, mas se for, felizmente é um clichê que pode-se dizer que Ômega não seguiu. Mas, apesar de ser um clichê, isso não justifica o erro que autora cometeu. Faltou uma pesquisa mais elaborada aí. Isso se teve uma pesquisa.

 

  1. Uma evidência gritante que mostra que essa pesquisa sequer existiu é o número de episódios de Ômega que a autora disse que havia: 46. Ela falou que tinha duas temporadas e automaticamente disse que as duas juntas totalizaram 46 episódios. Ômega foi exibida quase todo sábado por 2 anos; simplesmente não é possível que tenha dado só 46 episódios. Aliás esse foi o total de episódios da segunda temporada, que é a que retratou a saga de Pallas. Ômega teve um total de 97 episódios. Até a página da Wikipédia sobre Ômega menciona isso. Quem quiser ver, pode ir procurar lá.

 

        Com tudo isso dito, concluo dizendo apenas que é uma pena que a Neo Tokyo, uma revista altamente conhecida pelos fãs de anime no Brasil, seja vítima de um enorme amadorismo, que ficou evidente nessa matéria e que acabou por ofuscar bastante as partes boas que nela havia. E, pelo que tenho visto com a Neo Tokyo, vai ficar por isso mesmo. É, uma pena.

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