IMPRESSÕES ACERCA DE SHAKA DE VIRGEM

23/08/2013 23:10

IMPRESSÕES ACERCA DE SHAKA DE VIRGEM

 

    Finalmente adquiri a penúltima edição de Cavaleiros do Zodíaco G e não posso deixar de compartilhar uma impressão pessoal a respeito de um discurso muito comovente desse volume. Sei que não é novidade para ninguém, pois uma das características dessa obra se encontra no desenvolvimento dos diálogos entoados por uma espécie de dramaturgia e musicalidade, porém, não poderia deixar de ressaltar uma passagem – citaria outras, mas não pretendo fazer dessa matéria uma análise ou resenha – curiosa envolvendo a personagem Shaka de Virgem.

    Com a animação da Saga de Hades, que começou em meados de 2002 pelos estúdios da Toei Animation, que Shaka de Virgem tornou-se uma figura icônica e modelo de Cavaleiro de Ouro entre muitas tribos de fãs da série. Talvez as alterações do mangá para o anime tenham despertado nos fãs o apreço pelo personagem, afinal, convenhamos que o contra-ataque poderoso de Shaka contra Shura e Camus naquela seqüência de poderes acompanhada por uma trilha sonora digna de aplausos merece realmente reconhecimento, contudo, é inegável sua presença em destaque nos fóruns de discussão da série desde então.

 

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Trecho retirado da 16ª edição de Cavaleiros do Zodíaco lançado pela Conrad Editora.

 

    Embora tenha ganhado muito prestígio no desenvolvimento da animação da Saga de Hades, que nos apresentou um lado mais “humano” do budista dourado, Shaka de Virgem inicialmente se mostrou um personagem com fortes tendências a corrupção. Conforme lembrado na passagem acima, embora existisse aquela mística em torno de sua espiritualidade, ainda assim, ele se mantinha imprescindível diante aqueles considerados “inferiores”, demonstrando desprezo e repulsa. Pelo menos, a impressão deixada por Masami Kurumada era que Shaka de Virgem, por ser poderoso demais, não passava de um arrogante e totalmente cego em seus ideais distorcidos (basta ver a maneira como ele se coloca diante de Shun derrotado a seus pés).

 

 

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Trecho retirado da 19ª edição de Cavaleiros do Zodíaco G lançado pela Conrad Editora.

 

    Como comentei na introdução desse artigo, comprei a 19ª edição de Saint Seiya Episódio G e impressionei-me com a drástica mudança na personalidade de Shaka, onde o mesmo critica o deus guerreiro de Gigas: Elektron Ther, por sua ambição e corrupção. Atentem-se ao seguinte comentário do virginiano: “Quem se considera deus deve ter o coração puro e estender a mão da salvação a todos que precisam...”.

    Percebam como foi diferente o discurso “desse” Shaka (de Megumu Okada) para o “outro” Shaka de Masami Kurumada, que se dizia “mais próximo de deus” ao mesmo tempo em que afirmava não ter “compaixão pelos fracos”. Embora interessante essa perspectiva e interpretação dos autores em torno deste enigmático personagem, ainda assim, colocá-lo no Episódio G com tamanho discernimento sobre certo e errado e, posteriormente no Clássico, apresentá-lo com ideais distorcidos pode-se considerar uma incoerência gravíssima, afinal, como um homem espiritualizado acabou se tornando algo tão próximo daquele deus da qual um dia criticou?

 

Por Lucas Saguista

 

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