O SACRILÉGIO DA IGNORÂNCIA POR JUJOVI SAGUETE

12/12/2014 22:50

O sacrilégio da ignorância

por Jujovi Saguete

 

        Primeiramente, gostaria de registrar que meu único intuito nessa resenha é analisar o artigo da Neo Tokyo, edição 103.

 

        Em dezembro a revista Neo Tokyo lançou uma “homenagem” aos 20 anos de Saint Seiya no Brasil e, para isso, investiu mais da metade da revista em matérias especiais a obra. Ao ler toda a edição – após ignorar a baixa qualidade das matérias de Lily Carrol – cheguei a conclusão que a redação final foi um completo “sacrilégio” à inteligência dos leitores.

 

        “Em uma edição em que cedemos bastante espaço para falar da importância dos Cavaleiros do Zodíaco no Brasil, seria um sacrilégio não citar o trabalho de Diego Maryo em nossas páginas.”­ Trecho retirado da edição 103 da revista Neo Tokyo, redator não informado.

 

        Essa introdução demonstra toda a indiferença da Neo Tokyo – direcionarei as críticas a revista, já que esta foi a única matéria não assinada, logo, não sabe-se quem redigiu – para com os trabalhos de fãs. Como assim seria um sacrilégio não citar o trabalho de Diego Maryo numa edição que usou ilustrações de outros artistas e sequer os creditou? Como destinaram tanto espaço para falar do fanzine de um fã sendo que outras matérias ficaram carentes de conteúdo por sequer terem sido devidamente comentadas? Pois é, um verdadeiro descaso, infelizmente.

 

        Após isso, fazem um breve resumo do fanzine, o que era esperado, mas, logo, acabam caindo numa idolatria desmedida que me deixou curiosa do motivo de não terem divulgado o redator.

 

        “O traço de Diego é um show à parte, emulando diversas características do character desing do inesquecível Shingo Araki.” Trecho retirado da edição 103 da revista Neo Tokyo, redator não informado.

 

        Em relação às outras matérias produzidas pela Lily Carrol essa, sem sombra de dúvidas, foi a pior. Afinal, qualquer um que possui uma pequena bagagem de conhecimento sobre desenho, ou entende um mínimo de shonen mangá, ou até mesmo anatomia humana básica para desenhos estilo comic; não teria o atrevimento de comparar o renomado Shingo Araki com o Diego. Os motivos são claros, já que a arte do fanzineiro possui uma deficiência tanto em se tratando de traço como de proporção.

 

        Busquei esboçar um dos personagens da Saga dos Deuses para exemplificar melhor essa questão do traço e proporção, pontos negativos de sua arte.

 

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Como o redator(a) vê

 

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Como realmente é.

 

        Conforme podemos ver acima, esse é um dos personagens devidamente corrigidos e proporcionalmente dispostos no papel. Obviamente, o autor(a) da redação não conseguiu esconder marcas de sua idolatria pelo desenhista amador e, incontrariavelmente, sua chuva de adjetivos positivos são provenientes de uma análise leiga e descuidada.

 

        Mesmo sendo um mangá, onde alguns elementos são exagerados, ainda assim, há um foco de proporção na arte geral. Não precisa observar muito tempo para perceber a desproporção da cabeça de um personagem a outro, querem ver? Meçam o tamanho do nariz e verão que é o mesmo da testa e, consecutivamente, o da ponta do nariz até o queixo também possui a mesma medida. Os nossos rostos não são completamente simétricos, mas existe sim uma medida nos membros da face.

 

        Saindo rapidamente do rosto do personagem e partindo para o corpo, só tenho algo a declarar: um corpo pequeno não sustenta uma cabeça gigante. Não tem como um pescoço fino sustentar um cabeção desse tamanho, seria como esperar que um palito de dentes sustentasse o mundo ou, ao menos, equilibrasse. Entendem agora o motivo dos bebês não conseguirem ficar muito tempo sentados? Como a cabecinhas são normalmente grandes em relação ao corpinho, os bebês passam mais tempo deitados ou com a cabeça encostada em algum apoio, afinal, o corpo não equilibra. Mesmo um personagem como esse, notoriamente andrógino, devia ter um mínimo de proporção para promover tantos elogios. Realmente, nessa matéria, a Neo Tokyo mostrou não entender absolutamente nada de mangá, que devia ser o foco principal da revista.

 

        Eu até comentaria mais sobre a questão dos cabelos e sua medida de volume em relação à superfície do crânio, mas, sinceramente, dispenso comentários.

 

        Gostaria de encerrar a matéria expressando minha decepção, tanto com a revista por um todo, que sequer demonstrou saber dissertar daquilo a qual se propunha, como a essa matéria de encerramento de uma edição comemorativa. É inadmissível uma revista que use e abuse da arte de tantos grandes nomes que emulam com perfeição o traço de Shingo Araki, tais como, Marco Albiero; J-S-S-C; RXGDO; Carlos Alberto Lam Reyes; tenham citado e destinado tanto espaço para somente um artista. Outra coisa foi à nebulosa autoria que ficou devendo nessa redação, afinal, todos os outros artigos foram assinados, menos esse. Só espero realmente que tenha sido mais um dos erros da revista, porque, do jeito que a matéria conduziu o leitor a ver no fanzine uma verdadeira Coca-Cola no deserto, seria extremamente tendencioso – e arrogante – se essa matéria tivesse sido produzida pelo próprio autor do zine, o que pioraria ainda mais o resultado dessa triste conclusão de uma edição comemorativa.

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